O Serviço Ferroviário no Minho

Por EDUARDO JORGE MADUREIRA

Segunda-feira, 17 de Maio de 2004

Vale a pena ir propositadamente à estação de caminhos-de-ferro de Braga para observar um conjunto de fotografias da autoria de Dario Silva, que, desde há vários anos, retrata o mundo ferroviário com uma qualidade admirável. As trinta fotografias de Dario Silva têm ainda o suplementar interesse de documentarem de um modo assaz surpreendente as obras que recentemente se realizaram no ramal entre Braga e Lousado.

Chegaram bastante atrasadas, essas obras, mas - claro! - ainda bem que vieram. O Minho precisa de um bom serviço de transportes ferroviários e ele não existe sem boas estações e sem bons apeadeiros. Mas isso não chega como é evidente para quase toda a gente menos, ao que parece, para os senhores da CP e da Refer que não têm tomado as decisões mais adequadas para que esse serviço funcione eficazmente.

Nas páginas deste jornal, registaram-se no sábado que passou as queixas do presidente da Câmara Municipal de Vizela que, com toda a razão, não quer que a renovada estação ferroviária esteja fechada. A situação é absurda. Afirma o presidente da autarquia que o caso revela desleixo, mas não é possível garantir que não demonstre incompetência. Seja por desleixo, seja por incompetência, o certo é que não é prestado um bom serviço aos cidadãos. O exemplo, contudo, não é único.

Um passageiro que viaje de Vigo para Braga ao final da tarde precisa de sair em Vila Nova de Famalicão para, aí, apanhar outro comboio para Braga. Quando chega a Vila Nova de Famalicão, tem de aguardar mais de meia hora pelo comboio que vem do Porto. Isto sucede porque, como neste jornal observou Carlos Cipriano, falta à CP uma lógica de rede, o que, aliás, "a leva a perder mercado por não saber ajustar horários, tirando partido de tráfegos complementares. A operadora ferroviária tem uma óptica de itinerários, com horários feitos linha a linha, as mesmas que os portugueses com mais de 40 anos tiveram de decorar para o exame da 4ª classe". E mesmo linha a linha os horários podiam ser mais bem feitos.

Um pouco cansado, o passageiro que chega a Vila Nova de Famalicão à hora de jantar verifica rapidamente que já não há um sítio onde possa beber um simples copo de água e que até a sala de espera da estação está encerrada. E se tiver necessidade de ir a uma casa-de-banho, tem de a ir procurar às redondezas pois a da estação está fechado. Se o comboio se tivesse adiantado alguns minutos, ainda teria chegado a tempo de apanhar a estação aberta.

Querer salas de espera e casas-de-banho disponíveis e horários um pouco melhores é pedir muito? Estas coisas evidentemente resolver-se-iam rapidamente se os senhores que administram a CP e a Refer usassem os transportes ferroviários, sentindo as dificuldades e ouvindo as sugestões de quem precisa (ou gosta) de viajar de comboio. Resta, pois, esperar que isso possa suceder brevemente